Da paixão pela mecânica a avô babado

De Belmonte a França, uma viagem com contornos de regresso de No mês em que completou a bonita idade de 98 anos, o JB esteve à conversa com David Soares, um dos primeiros mecânicos do concelho de Belmonte

Assim que a equipa de reportagem do JB chega à casa do Senhor David, é recebida pela sua Esposa que, para além de nos receber com um sorriso na cara, rapidamente nos indica que o casal está prestes a completar a bonita data de 68 anos de casados. Dois passos em frente, na primeira porta à direita encontramos David Soares, na sua sala acompanhado pela sua bengala e a olhar pela janela que tem vista privilegiada para o ex-libris da terra, o Castelo de Belmonte. Assim que nos acomodamos, começamos de imediato a conversa, onde David faria uma retrospetiva de uma viagem que conta já com 98 anos.

Uma infância dividida entre o estudo e uma arte pouco comum

“Nasci na Estação de Belmonte, em 1920, já lá vão uns anos”, começou por adiantar David Soares que, de pronto, pediu à sua esposa para lhe passar uma foto antiga da sua família onde se encontra, juntamente com os seus nove irmãos e os seus pais. “Parte dos meus irmãos, bem como eu, acabámos por ir à escola”, acrescentou, no decorrer da conversa e o Senhor David bem que se pode gabar disso, porque não eram todos os que tinham a sorte de estudar naquele tempo. “O meu pai preocupou-se em dar-nos educação”, David Soares estudou em Belmonte com o Professor Paiva, isto porque ainda não existia a escola da Estação de Belmonte.

“Hoje em dia contamos as dificuldades que tínhamos aos jovens e eles não sabem avaliar porque pensam que são histórias, mas os tempos eram mesmo difíceis”, confessou David, que depois de passar pela escola foi aprender uma arte, mas não foi uma arte muito comum para a época. “Acabei por ter o privilégio de aprender a arte mesmo ao pé de casa, estava ali ao pé e aproveitei”, confessou David que foi aprender a arte da mecânica, trabalhando inicialmente com o Senhor Alfredo e, posteriormente, com o Senhor Amadeu. Trabalhar na arte da mecânica não era muito comum à época, desde logo, porque os próprios carros não eram muitos, apesar de ser novidade foi algo que se desenvolveu muito e de forma muito rápida.

Posteriormente acabou por trabalhar numa oficina emblemática de Belmonte para o Senhor Virgílio de Sousa, uma figura ligada ao desenvolvimento industrial da região. “Sempre que era preciso algo com motores lá chamavam o mecânico do Virgílio de Sousa”, relembrou David. Mas mais tarde o negócio começou a “decair” e Virgílio de Sousa acabou por se dedicar à exploração de minério, onde tinha concessões em vários locais. Com esta realidade, David acabou por procurar trabalho noutro local e acabou por se “transferir” para a oficina mais importante da Covilhã e uma das mais importantes da região, a Garagem de São João.

Da Covilhã até outros mares

“Aprendi e fiz muita coisa que nunca tinha visto, era curioso”, como se costuma dizer, «qualquer artista tem de ser curioso» e este artista belmontense, foi à conquista da Covilhã. “Antigamente, reparava-se tudo não se comprava e montava novo. Naquele tempo e não tínhamos as coisas tínhamos de inventar”, confessou David Soares, que tinha um “dedo” para a invenção. “Uma vez, adaptei um motor completo para uma carrinha sozinho”, afirmou convictamente.

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