Marcar a diferença

Vivemos a era do descartável, onde tudo perde(u) o valor e o simbolismo. Tudo à exceção de uma simples coisa, a(s) palavra(s). E quem melhor do que um jornal e do que os jornalistas para propagar as palavras e o seu poder? É importante preservar este dom que nos é conferido, não lamentando as palavras, que no fundo são o nosso alimento.

A era do descartável é também a época da desinformação, isto apesar de nunca antes na história se ter lido tanto. Um paradoxo que se explica facilmente com a “engorda” cultural em que a nossa sociedade vive. O público lê tudo aquilo que lhe aparece pela frente, não conseguindo selecionar o que realmente importa, daquilo que não passa de lixo informativo.

No meio desta realidade é preciso marcar a diferença e, acima de tudo, arriscar. O Jornal de Belmonte é um desses exemplos, uma autêntica pedrada no charco. O projeto que tinha o objetivo claro de criar uma ponte entre o mundo académico e o mundo profissional comemora, neste mês de maio, três anos de existência. Sim, três anos de existência, uma autêntica vitória para o jornalismo e, acima de tudo, para todos os membros que estão ou passaram por este projeto desde a sua fundação. Da equipa inicial de 30 elementos, restam 8 profissionais, sim autênticos profissionais que continuam a trabalhar de forma voluntária, algo apenas possível pelo gosto que nutrimos pelo jornalismo e por acreditarmos no futuro deste projeto.

Combater a cultura da gratuitidade no acesso à informação que se estabeleceu na nossa sociedade não é fácil e assistimos a várias redações que encerram portas um pouco por todo o país. O Jornal de Belmonte rema contra esta maré e este caminho fácil, demonstrando que o bom jornalismo vai continuar a imperar e, mais importante, marcar a diferença. Uma máxima importante, ao longo de três anos fomos construindo o nosso caminho, encontrando o nosso espaço e nos dias que correm para vestir a pele de jornalista, é preciso ter coragem, personalidade, mas acima de tudo muito respeito pela profissão. Batalhar para um jornalismo claro e credível não é fácil, mas escolhemos, cientes do trabalho que iriamos encontrar pela frente, o caminho mais difícil.

Não lamentamos as palavras, o nosso alimento, e vamos continuar a cumprir o nosso papel sem receios de lápis azuis, ou de censura, preservando a liberdade de expressão. Vamos continuar a trabalhar sob o nosso escrutínio pessoal, mas mais importante, sob o escrutínio dos nossos leitores, temos a noção que o caminho se faz trabalhando e nós estamos cá para trabalhar em prol do bom jornalismo neste que é o jornal de todos nós, de todos os belmontenses.

Três anos é uma marca incontornável que nos tem de orgulhar a todos. Este é um projeto de e com futuro que irá lutar contra o marasmo e a resignação, partilhando o mundo que Belmonte guarda em si. As bases são sólidas e as perspetivas de futuro reais, não sei qual será o próximo passo do Jornal de Belmonte, mas iremos lutar com todas as forças para que seja o da profissionalização.

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