Sim, nascemos e queremos viver cá!

“Pois, o senhor nasceu aqui, essa é que é a questão, nasceu e pronto… Gosta verdadeiramente da sua terra”. Não tenho qualquer dúvida que continuamos a viver demasiado longe para incomodar e, principalmente, demasiado longe da hipocrisia. O programa “Prós e Contras” da RTP, apresentado por Fátima Campos Ferreira, deslocou-se à cidade da Guarda e ao seu Teatro Municipal para um programa realizado em direto sobre o tema “O interior primeiro”. Um programa que poucos segundos antes do seu início gerou uma discussão entre a apresentadora e um dos produtores, isto porque existiam autarcas que estariam em falta e Fátima Campos Ferreira não queria começar o programa com cadeiras vazias à sua frente.

O programa juntava um leque de oradores, entre eles, autarcas e empresários da região inseridos no “Movimento pelo Interior” que encetaram um “debate”, onde o tema dos incentivos para trazer pessoas do litoral, dos grandes centros, para o interior esteve em cima da mesa grande parte das duas horas em que durou o “debate”. Até ao momento em que foi dada a palavra ao maestro Luís Cipriano, um profissional de excelência apaixonado pela nossa região que sempre “fugiu” à agitação dos grandes centros e continua a resistir e a lutar contra a apatia e o marasmo.

Pois bem, assim que o maestro teve oportunidade, não deixou de salientar que não podemos pensar apenas em atrair pessoas para a região: “E a mim que estou cá há 53 anos, quem é que me incentiva?”. Uma pergunta ao qual a apresentadora Fátima Campos Ferreira teve uma resposta infeliz: “Pois, o senhor nasceu aqui, essa é que é a questão, nasceu e pronto… Gosta verdadeiramente da sua terra”. Nós, os que nascemos e queremos viver aqui, na nossa raiz não nos podemos contentar com o facto de gostarmos da nossa região. Este laço que estabelecemos com o nosso “berço” é simplesmente o primeiro passo e não posso permitir que autarcas da região afirmem que aquilo que têm para nos oferecer é “qualidade de vida”, não é suficiente.

É certo que, assim como foi afirmado durante o programa, o objetivo não passa por retirar ao litoral para dar ao interior, mas sim melhorar o país no seu todo, mas sejamos claros, a descriminação positiva tem de existir, não pode ser apenas um golpe de asa, ou uma frase de propaganda política. Não é admissível que a Universidade de Lisboa tenha mais gastos com os seus alunos do que todas as universidades do interior juntas.

Esta é uma questão que vai muito além da geografia, como afirma Nuno Francisco, este não é um problema de distâncias, mas de desigualdades. E enquanto imperar a hipocrisia por quem está do lado de lá e enquanto estivermos tão longe relativamente às oportunidades, dificilmente iremos incomodar.

Ps: Álvaro Amaro admitiu em direto que desconhecia o trabalho de Luís Cipriano e disponibilizou-se a ouvir o maestro. Primeiro espero que autarca não fique apenas pelas palavras e não posso deixar de me interrogar, será que o próprio interior é assim tão distante?

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